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segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Velho Hábito de Apaixonar-me

Escribas brasileiros que fugiam deixando rastros de seus sanatórios habituais com baionetas afiadas em punhos um dia escreveram: "-Oxitocina, a âncora dos afogados!". Estudiosos concordaram e nem o mais louco poeta ousou contradizê-los mas também, como faze-lo se nos olhos daqueles homens embriagados e nos lábios dos bronco-brutos haviam ávida certeza do que diziam, logo mais se via copos vazios e bolsos cheios, logo mais se via copos cheios novamente. Dentre as canções que eles entoavam notava-se pensamentos distantes de tempos distantes que se faziam tão presente na mente daqueles tais senhores, entre as gargalhadas era mais que inevitável perceber que todas eram causa somente da bebida alcoólica nenhuma verdadeira e do fundo de seus peitos alias peitos vazios e sem fundos. Eles gritavam e pediam a taberneira para trazer-lhes cervejas ou doses de gim, doses de outrora, doses para fingir que uma aminézia de ressaca fariam todos eles saírem de onde se afogaram, todos esquecerem. -Fecha a conta, passa a régua!; grita o desajeitado senhor ao puxar o dinheiro dos bolsos, aquele senhor sim vejo de longe que experimentou da droga e nunca mais conseguiu larga-la, os outros senhores ainda sim que viciados controlavam-se muito bem e escondiam os sinais mas o senhor que pagou a conta nada mais conseguia esconder! Pagou a conta e saiu, sem eira nem beira, saiu, ao caminho de sua casa eram somente os seus pés que o conduziam, já não conseguia pensar, já não conseguia sentir, já não conseguia nada, estava totalmente perdido! Chegando em casa, ele se deita e aos cantos dos olhos lágrimas fingem mergulhar em uma piscina de total saudade, suas mãos mal conseguem alcançar o mp4 com suas músicas de um tempo bom mas que se acabou porem ainda assim consegue pega-lo, o som do aparelho marca o volume mais alto e ali ele cai e morre fadigado a procura de outro corpo que possa lhe oferecer a oportunidade de reviver o seu coração ali ele dorme viciado em "oxitocina, a âncora dos afogados!".

Caique Maciel Arruda